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Cães precisam de cuidados redobrados contra a berne no verão

Causada pela larva da “mosca berneira“ ou Dermatobia hominis, a doença se desenvolve rapidamente sob a pele de um animal hospedeiro, neste caso o cachorro. Tradicionalmente, a berne atinge animais que vivem na região rural, mas o que temos presenciado é um grande aumento de atendimento veterinário diagnosticando a doença em animais da cidade.

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Devido ao calor e a umidade, o verão é a época mais propícia para a reprodução e o aumento de diversos tipos de moscas. Apesar de existirem diversos tipos, é através da Dermatobia hominis, que mede de 1,2 a 1,5 centímetros que a berne se desenvolvem nos cães.

O processo de infecção é um pouco diferente do convencional em que as moscas põem ovos diretamente no cachorro. Com a ajuda de espécies diferentes de moscas, a berneira deposita seus ovos sobre a mosca veiculadora que ao posar sobre o animal, depositam larvas que rompem a casca dos ovos e se instalam na pele e se nutrem de tecido do hospedeiro.

Depois de infectado, as larvas ficam penetradas de um a dois centímetros no animal, deixando um orifício aberto e nos próximos dois meses, se não detectada a presença da berne, ela amadurece na pele do animal e respira através do orifício, causando dor, inflamação e incomodo no cão.

Se a larva não for tirada o mais rápido possível, ela cresce gradativamente, ampliando o orifício na pele do animal e causando ainda mais dor. Quando a larva chega a um nível de amadurecimento, ela sai da pele do animal, cai no chão e se o solo for de terra, ela se entoca numa forma de casulo e em torno de 45 dias se tornará uma mosca.

Como não é possível perceber que o cão está com a berne logo nos primeiros dias, o indicado é procurar um veterinário assim que notar diferença no comportamento e aparência do animal. A berne deve ser extraída com as mãos, pressionando o local até a larva sair. O procedimento feito por um profissional irá garantir mais segurança e preparos para lidar com a doença e o tratamento pós retirada das larvas.

Quando o procedimento é feito por um profissional, o risco de a larva morrer dentro da cápsula que a mantém no corpo do animal é menor. Mas, se você tentou resolver em casa e percebeu que o pus não saiu, provavelmente o orifício que antes ficava aberto irá se fechar pela cicatrização natural da pele e a larva ficará dentro do animal. Se a larva permanecer dentro do animal por muito tempo, a região infectada apresentará um nódulo, facilitando uma infecção mais forte e possíveis tumores. Se isso acontecer, a retirada do nódulo só poderá ser feita cirurgicamente.

A tentativa de tirar a berne em casa pode trazer várias consequências desagradáveis. Como os cães podem ter várias larvas espalhadas pelo corpo, fazer a retirada sem experiência pode deixá-lo nervoso e agitado a ponto de machucá-lo durante o procedimento. Pode ser que o cão até tente morder o dono, uma maneira de se proteger instintivamente.

Em alguns casos são utilizado os sprays ou inseticidas na tentativa de matar a berne, mas eles também podem não funcionar corretamente e fechar o orifício na pele do cão. Outro método utilizado é a invermectina, uma substancia injetável que pode fazer com que a larva caia. O uso deve ser feito com acompanhamento veterinário e não pode ser aplicado em todos os cães.

Como foi dito no começo desta reportagem, a berne afeta principalmente os cães que moram nas zonas rurais e a prevenção neste caso é um pouco mais complicada, já que não temos controle das áreas ao redor. Assim, o melhor meio de prevenção é não deixar o cachorro em locais que tenham a presença de moscas. Evitar o acúmulo de lixo e manter o local onde o cão costuma dormir e brincar limpos é essencial. Evitando o aparecimento de moscas, a berneira não terá a “ajuda” de outras espécies para depositar os ovos nos animais.

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